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sexta-feira, 27 de abril de 2012

FOI SEGUNDO…MAIS VALEU



A grande performance de Checo Perez em Sepang no último domingo deixou os fãs do automobilismo com um sentimento agridoce. Se por um lado ficou a excitação de ter assistido a uma bela corrida que revelou um novo talento, por outro ficou uma certa frustração pelo fato da grande vitória, o momento épico, não ter acontecido.
Pouco cotado, com um carro de equipe média e largando apenas na nona posição, Perez brigou pela vitória com autoridade, pressionou Fernando Alonso até o final e colocou no bolso os mais recentes campeões mundiais, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Se a vitória não veio, foi por um erro no final, um detalhe.

Seguindo minha tradição de procurar paralelos no passado, lembrei de pelo menos outros quatro eventos semelhantes, quando um “underdog” surgiu do nada e meteu medo nos cachorros grandes. Como Perez, todos eles terminaram a corrida na segunda posição, batendo na trave de um grande feito histórico. Ainda assim, grandes momentos.
Ayrton Senna – GP de Mônaco de 1984


Era apenas a quinta largada de Ayrton Senna na Fórmula 1. E apenas a segunda vez que a Toleman levava para a pista o modelo TG184, já que a equipe havia disputado as primeiras corridas do ano com o carro do ano anterior. Mais tarde se descobriria que se tratava de um dos melhores chassis daquela temporada, mas até então, a Toleman não passava de uma mera figurante que nunca tinha sequer conquistado um pódio na categoria.

Saindo da 13ª posição do grid, ninguém imaginava que o grande destaque da corrida seria aquele carro brancão, com patrocínio de café e máquina de lavar, meio desengonçado. Mas a condução de Ayrton Senna naquele chuvoso GP de Mônaco o alçou imediatamente à condição de futuro gênio da Fórmula 1. Na primeira volta, foi beneficiado por alguns acidentes e saltou direto para nono. Dali para a frente, começou uma emocionante escalada de posições até chegar ao segundo lugar. Ultrapassou a Williams de Keke Rosberg e a McLaren de Niki Lauda, deixando todos estupefatos.

Tinha tudo para vencer, vinha descontando a diferença para o líder Alain Prost de maneira vertiginosa, até que a direção de prova viu por bem encerrar a corrida com apenas 31 das 76 voltas previstas. Uma decisão correta, já que as condições eram mesmo extremas e apenas oito dos 20 carros que largaram ainda estavam na pista. A chance de não terminar ninguém era grande, assim como a de alguém terminar machucado. Ficou a sensação de coito interrompido, já que a ultrapassagem de Senna sobre Prost era iminente, mas não dá para condenar a atitude da organização da corrida.

O curioso de toda a história é que Senna cruzou a linha de chegada à frente de Prost, que encostou o carro na reta quando viu a bandeira vermelha ao lado da quadriculada. Enlouquecido, achou que tinha vencido e saiu comemorando numa imaginária volta da vitória. Nas cabines, Galvão e Reginaldo chegaram a aclamar o brasileiro como vencedor do GP. Mas quando Ayrton descobriu que em caso de interrupções assim o resultado que vale é o da volta anterior, ficou com cara de poucos amigos. Depois, no pódio, relaxou e percebeu que aquele segundo lugar tinha gosto de vitória. Era a senha que outras viriam no futuro. E vieram.

Jean Alesi – GP dos EUA de 1990


Alesi mal tinha começado sua carreira na Fórmula 1, mas já tinha dito a que veio. Logo em sua estreia, no GP da França de 1989, chegou a andar em segundo lugar e terminou a prova em quarto, com uma fraca Tyrrell. Em 1990, nos Estados Unidos, continuava na Tyrrell e fazia sua primeira corrida de abertura de uma temporada. Não se esperava muito de sua equipe, já que vinha de uma temporada errática no ano anterior (um pódio, alguns pontos marcados, mas falhando em se classificar para o grid em algumas etapas).

Porém, a equipe havia trocado o fornecedor de pneus, estreando em Phoenix os compostos da Pirelli. E os pneus levados pelos italianos fez um sucesso danado naquela pista. Num treino de classificação muito louco, os carros com Pirelli levaram vantagem sobre os Goodyear, gerando resultados curiosos. Pierluigi Martini colocou uma Minardi na primeira fila. Andrea de Cesaris foi o terceiro com Dallara, enquanto Jean Alesi conseguiu um quarto lugar para a Tyrrell. Imaginava-se que tudo tinha sido um brilhareco proporcionado por um bom pneu de classificação e que na corrida as coisas seriam diferentes, mas não foi bem assim.

A profecia chegou a se comprovar logo nas primeiras voltas, com as Minardi e Dallara ficando para trás, enquanto os melhores carros como a McLaren de Senna e a Ferrari de Prost vinham ganhando posições. Porém, Alesi conseguiu imprimir à corrida um ritmo capaz de levá-lo à vitória. Arrancou bem na largada, pulando de quarto para a ponta logo na primeira curva, fez uma série de voltas mais rápidas e foi administrando a liderança com maestria, como fosse um veterano, não permitindo a aproximação de Gerhard Berger, que vinha logo atrás em sua prova de estreia pela McLaren.

Berger errou e bateu, e Alesi conseguiu manter certa vantagem na ponta até mais ou menos metade da corrida, quando passou a ser pressionado pela McLaren de Senna. Seu carro, ainda um modelo do ano anterior, não foi suficiente para conter a eficiente McLaren-Honda do brasileiro e acabou cedendo a ultrapassagem, mas não sem antes vendê-la bastante caro. Senna tentou ultrapassar, mas tomou um xis na curva seguinte. Uma volta depois, tentou outra vez a manobra no mesmo lugar, mas Alesi novamente tentou dar o troco. Não tracionou tão bem, mas conseguiu ainda emparelhar com a McLaren por mais três curvas até, finalmente, ser batido.

Foi bravo, foi heróico, seria a primeira vitória da Tyrrell em sete anos, mas não deu. Alesi terminou em segundo lugar e ali carimbou seu passaporte para ser piloto da Ferrari no ano seguinte. Por bastante tempo foi visto como um potencial campeão de Fórmula 1, mas nunca conseguiu estar na equipe certa na hora certa. Naufragou nas sucessivas crises da Ferrari e terminou a carreira com apenas uma vitória, bem menos do que seu talento prometia – e merecia.

Ivan Capelli – GP da França de 1990


Capelli já não era nenhum novato na Fórmula 1, pelo contrário. Já estava na categoria desde 1985, sempre em equipes pequenas e médias. Estava na March/Leyton House desde 1987, onde fez grandes apresentações em 1988, terminando o campeonato em sétimo lugar, com dois pódios. Porém, a equipe vinha em declínio desde então. O projetista era Adrian Newey, que fazia carros aerodinamicamente perfeitos, mas que tinham muitas dificuldades em terrenos acidentados. Tanto que nem Capelli nem Mauricio Gugelmin, seu companheiro de equipe, haviam conseguido classificação para largar no GP do México de 1990, disputado na ondulada pista do Autódromo Hermanos Rodriguez.

Porém, na etapa seguinte, em Paul Ricard, a situação seria bem diferente. Num circuito de asfalto bastante liso, a perfeição aerodinâmica da criação de Newey encontrou um habitat perfeito para brilhar. Os motores eram os fracos Judd, mas ainda assim o time conseguiu preparar carros competitivos para a corrida. Capelli classificou-se em sétimo no grid e Gugelmin, em nono.

Não se esperava que as Leyton House teriam algum destaque na prova, no máximo eram candidatas a pontuar. Mas a estratégia bolada pela equipe deu um banho em todo mundo. Com carros equilibrados e que consumiam poucos pneus, os dois pilotos partiram com pneus duros para uma corrida sem pit stops, enquanto todos os demais estavam de macios, prevendo uma parada. No começo da prova, tudo normal, com McLaren e Ferrari brigando pela ponta. No entanto, logo após a parada para troca de pneus, surgiu na frente uma dobradinha em azul piscina. Capelli na frente, Gugelmin em segundo, e nada de eles pararem para trocar pneus.

O ritmo de corrida de ambos era bom e uma dobradinha ao final da prova passou a ser possível. Porém, pressionado por Prost, o motor Judd de Gugelmin abriu o bico a vinte voltas do final. O francês da Ferrari passou, assim, a perseguir Ivan Capelli, que se defendia bravamente. Apesar da pressão de Prost, a vitória parecia iminente até que… o motor da March começou a falhar a três voltas do fim. O italiano conseguiu continuar na pista, mas não teve mais qualquer chance de brigar pela ponta. Se arrastando, cruzou a linha de chegada em segundo. Um belo resultado, mas a vitória passou raspando.

Foi o último pódio de Capelli, que continuou afundando com a Leyton House, que mais tarde naquele ano teria seu proprietário preso por fraudes no Japão. O italiano teve ainda uma chance na Ferrari em 1992, mas pegou um dos piores carros da equipe em toda a história e não soube lidar com a situação. Foi dispensado antes do fim da temporada e tentou reerguer a carreira na Jordan no ano seguinte. Depois de duas corridas, obscurecido pelo estreante Rubens Barrichello, percebeu que já não tinha mais espaço e abandonou a Fórmula 1, sem nenhuma vitória.

Damon Hill – GP da Hungria de 1997

Campeão mundial em 1996, mas demitido pela Williams logo após a conquista do título, Damon Hill foi buscar abrigo na Arrows em 1997. A equipe havia sido comprada por Tom Walkinshaw no ano anterior, mas continuava sendo o que sempre foi: um time médio que de vez em quando aprontava uma ou outra. Ainda assim, nos últimos oito anos havia feito apenas um pódio absolutamente ocasional, com Gianni Morbidelli no GP da Austrália de 1995, uma corrida em que quase ninguém chegou ao fim e que o próprio Hill havia vencido com duas voltas de vantagem para o segundo colocado.

A contratação do atual campeão foi mais uma jogada de marketing para atrair as atenções (e patrocínios) que o número 1 estampado na carenagem traz do que exatamente um planejamento para crescimento da equipe. O carro era bem fraquinho e os motores Yamaha nunca disseram o que tinham vindo fazer na Fórmula 1. Logo na estreia, no Albert Park, Hill penou para conseguir classificação para o grid. Seu companheiro, o pay-per-drive Pedro Paulo Diniz, ficou fora da zona dos 107% e só pôde largar depois de um pedido de clemência à direção de prova.

Porém, contra todos os prognósticos, durante a temporada a Arrows evoluiu bastante. Principalmente em circuitos mais travados, nos quais a potência de motor não era determinante para um bom resultado. De repente, em Hungaroring, 11ª etapa do campeonato, Hill obteve uma impressionante terceira posição no grid.

Na corrida, o desempenho do então campeão mundial foi ainda mais incrível. Na largada, ultrapassou a Williams de Jacques Villeneuve e pulou para segundo. Acompanhou a Ferrari do líder Michael Schumacher por cerca de dez voltas, até ultrapassá-la no final da reta. Ninguém acreditava, mas havia uma Arrows na liderança!

Mas não duraria muito tempo, pois Heinz-Harald Frentzen veio escalando o pelotão com sua Williams até ultrapassar Hill, tornando-se o novo líder. Porém, seu carro quebrou quatro voltas depois, devolvendo a ponta para a zebra em azul e branco. E Hill seguiu dominando a prova, para absoluta surpresa de todos que acompanhavam. Não só manteve a ponta como foi abrindo de maneira espetacular. A poucas voltas do fim, tinha mais de 40 segundos de vantagem para Jacques Villeneuve. A vitória era certa, bastava aguardar a bandeira quadriculada.

Só esqueceram de avisar o sistema hidráulico da Arrows, que entrou em colapso e não permitiu mais que o inglês acelerasse seu carro de forma correta. A duas voltas do fim, começou a virar parciais muito lentas e Villeneuve começou a descontar a diferença. A aproximação foi inevitável até que, na metade da última volta, o canadense ultrapassou Damon Hill. Apesar da manobra espetacular, com o piloto da Williams lembrando seu pai ao atirar seu carro na grama para consumar a ultrapassagem, pouca gente ficou feliz. A vitória, merecida, deveria ter sido de Hill e da Arrows. Mas eles tiveram que se contentar com um segundo lugar.

Foi o último pódio da Arrows, que dali para frente entrou em crise até fechar as portas melancolicamente, em 2002. Hill, porém, mudou-se para a Jordan e teve a honra de dar ao time irlandês sua primeira vitória na Fórmula 1 no ano seguinte, na Bélgica. Por sinal, as belas temporadas do inglês com carros inferiores, depois de quatro anos de Williams, serviram para não deixar dúvidas quanto ao seu talento. Hill aposentou-se em 1999 deixando uma imagem bem mais positiva do que a que tinha em 1996, quando foi campeão. Ironias da vida.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

PERDENDO O FÔLEGO

A temporada de 2012 começa perigosa para a Red Bull. Bicampeã de pilotos e construtores, dominante na Fórmula 1 dos últimos anos, a equipe austríaca não parece ter o mesmo fôlego de antes. Olhando para a classificação do campeonato, os 42 pontos marcados não chegam a ser ruins, nem é pior do que o início de temporada de 2010, quando o time fez apenas 18 pontos em duas corridas e mesmo assim terminou o ano campeão. Porém, diferentemente daquela temporada, este ano a equipe não consegue andar na frente. Se há duas temporadas os rubrotaurinos dominavam, mas tinham problemas de resistência, hoje a situação é um pouco mais difícil. Resolver os problemas de um carro rápido que quebra é bem mais fácil que fazer um carro mais lento andar.

A edição da semana passada da revista inglesa ‘Autosport’ faz uma reveladora avaliação de performance dos carros de 2012. Comparando os melhores tempos de cada carro durante o GP da Austrália com os obtidos no ano passado, conclui-se que a Red Bull está cerca de 1,2% mais lenta. Já a McLaren está 0,7% mais rápida (para efeito de curiosidade, a Ferrari perdeu 1,5% e quem mais evoluiu foi a Williams, com 1,5% de melhora). Este cenário matemático demonstra bem a realidade: os carros de Adrian Newey já não são mais os melhores do grid. São rápidos, mas não dominam mais. Os resultados também falam por si.

Para se ter uma ideia, a Red Bull só liderou uma volta das 114 da temporada até aqui, num gap entre pit-stops no GP da Austrália. Ano passado, tinha liderado 109 das mesmas 114, e em 2010, 58 de 107. No grid, não conseguiu nenhuma primeira fila. Nos últimos dois anos, a Red Bull só tinha deixado de estar presente na primeira fila de uma corrida em uma ocasião: no GP da Itália de 2010. Em todas as demais 37 provas lá estava um touro vermelho, senão na pole, na segunda posição. Em 2012, no entanto, não conseguiu posição melhor do que o quarto lugar em duas provas.

Sebastian Vettel obteve um belo segundo lugar no GP da Austrália, mas esteve bem distante do pódio na Malásia. Bateu com Karthikeyan e teve um pneu furado, é verdade, mas não chegaria entre os três primeiros da mesma forma, pois era apenas um discreto quarto colocado até o acidente. Mark Webber, que chegou em quarto e repetiu a posição da Austrália, não deu trabalho para ninguém na corrida. Um touro manso.

Não é o fim do mundo, pois o carro parece próximo da McLaren. Não é uma desgraça como o F2012 da Ferrari, pode vencer com alguma regularidade, mas sem nenhuma facilidade. É preciso quebrar a barreira da vitória, mas como a Red Bull não está mais acostumada a ficar longe da ponta, um começo de campeonato ruim assim abala a confiança do time. A reação extremada de Vettel ao final da corrida, chamando injustamente Karthikeyan de idiota, escancara este cenário. Sempre equilibrado e de boa paz, o bicampeão revelou seu lado irritadiço e intempestuoso. Não é assim que conseguirá uma reação rápida. Ainda que tenha os talentos de Newey nas pranchetas e de Vettel ao volante, talvez seja preciso mais calma do que tomar um energético para voltar a vencer.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

PONTO DE RENASCIMENTO

O GP da China tem um papel importante na história da Red Bull. Foi lá, em 2009, que a equipe austríaca entrou para o grupo das grandes na F1, conquistando suas primeiras pole-position e vitória. De lá para cá, foram dois títulos mundiais de Pilotos, dois de Construtores, 38 pole-positions e 27 vitórias em 55 corridas, resultados que fizeram dela a maior vencedora da categoria neste período.

Porém, a temporada de 2012 começou mal para os rubrotaurinos. O carro não parece ter o mesmo fôlego de seu antecessor, a McLaren cresceu bastante e chega à China como favorita. Situação essa que expõe uma contradição interessante. Dominadora nos treinos com três poles nos últimos três GPs da China, a Red Bull conseguiu converter apenas a corrida de 2009 em vitória. Por outro lado, a McLaren nunca entrou como favorita, mas ganhou três das últimas quatro corridas em Xangai.

terça-feira, 24 de abril de 2012

GP DA CHINA

Perdi a hora e não vi o treino nessa madrugada. Mas ainda bem que existe o gravador digital pra salvar a gente das falhas do despertador. Acordei cedo e vi tudo agora.
- Belíssima pole de Nico Rosberg, fazendo valer o DRS revolucionário da Mercedes. Numa pista de longas retas como Xangai, o alemão sentou a bota e meteu uma luneta em todo mundo. Meio segundo de vantagem para o segundo colocado é muita coisa. Tão grande a vantagem que Nico inclusive abortou sua última tentativa de volta rápida. Não precisava.

- Com isso, a Mercedes chega à sua primeira pole em mais de 50 anos. Sim, a última delas havia sido de Juan Manuel Fangio, no GP da Itália de 1955. Muito tempo, outra era. Pela primeira vez, o retorno da Mercedes como equipe paga dividendos. Agora vamos ver na corrida.

- Foi um treino de efemérides. Além da primeira pole da carreira de Nico Rosberg, foi também a primeira vez de Michael Schumacher numa primeira fila desde seu retorno à Fórmula 1. A última vez que o alemão havia largado na primeira fila fora no GP do Japão de 2006, há mais de cinco anos, portanto.

- Como o W03 é bom de reta com DRS, mas péssimo no trato com os pneus, duvido muito que tenham o mesmo êxito na corrida. Como nela a asa móvel só pode ser utilizada em condições específicas (ultrapassagens), toda a vantagem de velocidade em reta da Mercedes se esvai. Assim, surge a McLaren como candidata à vitória. Jenson Button sai em quinto, Lewis Hamilton em sétimo, mas com boa expectativas para a corrida.

- A segunda fila do GP da China é divertida pra caramba. Em terceiro lugar, Kamui Kobayashi, o mito da Sauber. Ao seu lado, Kimi Raikkonen, da Lotus. Dois pilotos agressivos e capazes de tudo. Pode sair bobagem na largada, mas também pode sair coisa muito boa.

- Mark Webber foi a Red Bull mais bem classificada, em sexto. Sebastian Vettel, pasme, não chegou ao Q3 e vai sair apenas em 11º. Foi superado até pela Lotus de Romain Grosjean. O touro tá sem fôlego e o Tiãozinho sentiu o baque, tomando o terceiro toco do canguru em três corridas.

- Falando em toco, Ferrari em nono com Fernando Alonso e em 12º com Felipe Massa. Bom resultado como na Malásia? Só se chover de novo e olhe lá. Felipe melhorou na China, mas ainda está devendo. Precisa confirmar a reação na corrida.

- Sergio Perez, o fenômeno de Sepang, vai largar em oitavo. Foi obscurecido por seu companheiro de Kobayashi hoje, o que é até uma boa notícia. O carro da Sauber é bom e pode render outros grandes momentos como os da Malásia.

- A partir da sétima fila do grid, duplinhas das equipes, revelando claramente a relação de forças entre elas na temporada. Duas Williams, duas Force India, duas Toro Rosso, duas Caterham, duas Marussia e duas HRT.

- Na Williams, Maldonado conseguiu ficar à frente de Bruno Senna, mas por apenas seis milésimos de segundo. Praticamente um empate técnico. Para a corrida, acho que um deles chega nos pontos.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

PNEUS FORAM A CHAVE PARA A VITÓRIA


Nico Rosberg é alvo de muitas brincadeiras por seu jeito um tanto andrógino. Sua delicadeza e traços femininos renderam-lhe até um maldoso apelido de “Britney” entre seus colegas pilotos. Mas, ironicamente, foi justamente uma condução delicada que lhe garantiu hoje, em Xangai, sua primeira vitória na Fórmula 1.

Apesar da pole position, foi sim uma vitória surpreendente. A Mercedes destacou-se nas duas primeiras corridas do ano por ser um carro rápido, mas indócil com os pneus. Em poucas voltas, a borracha ia para o espaço, fazendo Rosberg e Schumacher se arrastarem pela pista. Imaginava-se que o mesmo aconteceria hoje no GP da China. Ledo engano.

Partindo da pole, Nico Rosberg disparou na frente e manteve um ritmo de corrida competitivo e estável. Enquanto seus principais rivais – leia-se a McLaren – apostaram em uma estratégia de três paradas para troca de pneus, incrivelmente o W03 papa-pneus aguentou apenas dois pit stops e foi dominante do início ao fim. E a dobradinha só não aconteceu por causa de um erro do famoso “homem do pirulito”, que liberou Michael Schumacher de seu primeiro pit stop antes que o pneu dianteiro direito fosse devidamente aparafusado. O mecânico responsável surtou, gesticulou, bateu as mãos no chão e de nada adiantou. Schumacher voltou para a pista apenas para abandonar algumas curvas depois. O que a Mercedes descobriu nestas duas semanas em que a Fórmula 1 voltou para a Europa, não se sabe. Mas a solução do problema crônico de desgaste de pneus coloca a equipe alemã entre as favoritas para as próximas corridas.

A única real ameaça a Nico Rosberg na corrida partiu de Jenson Button, que fez três paradas e chegou a assumir a liderança da corrida em um intervalo de pit stops. Porém, a McLaren fez bobagem em sua segunda parada, acabando com suas chances. Ainda assim, a minha aposta é que Nico venceria da mesma forma, talvez com apenas um pouco menos de facilidade.

Outros pilotos também arriscaram uma estratégia de apenas duas paradas, mas sem o mesmo sucesso. Kimi Raikkonen, com a Lotus, foi segundo colocado o tempo todo, mas ficou completamente sem pneus nas últimas voltas e despencou para 14º. Felipe Massa foi outro, apareceu bem mas acabou apenas em 13º. Porém, um adendo: chegou apenas cinco segundos atrás de Fernando Alonso, que parou três vezes e terminou em nono. A Ferrari é uma draga, não deu para fazer milagre, e é possível classificar a corrida de Felipe hoje como aceitável. Não foi um resultado satisfatório, longe disso, mas mostrou uma certa recuperação do piloto brasileiro. Não foi um fiasco como nas últimas provas.

A Red Bull apostou em uma estratégia para cada piloto. Webber parou três vezes e chegou em quarto, ultrapassando Vettel no finalzinho numa briga emocionante. Embora tenha perdido para o companheiro, o resultado do atual bicampeão não foi de todo ruim. Partiu mal, despencou de 11º para 14º, mas na base da estratégia chegou a aparecer em segundo no final da corrida. Porém, como Kimi, ficou sem borracha no fim e foi perdendo posições.

O GP da China foi uma corrida aborrecida no começo, mas com boas brigas no final. Porém, tudo devido aos pneus Pirelli e seu rendimento instável. Daqui a algumas provas, quando as equipes entenderem melhor o comportamento dos compostos, as surpresas e diferentes estratégias acabarão. O que é uma pena. Hoje a emoção da F1 é absolutamente dependente da ignorância das equipes com relação aos pneus. Quando tudo estiver dominado, o tédio tomará conta e dificilmente teremos resultados como estes das primeiras provas, com três diferentes vencedores de três equipes diferentes.