Subscribe:

segunda-feira, 23 de abril de 2012

PNEUS FORAM A CHAVE PARA A VITÓRIA


Nico Rosberg é alvo de muitas brincadeiras por seu jeito um tanto andrógino. Sua delicadeza e traços femininos renderam-lhe até um maldoso apelido de “Britney” entre seus colegas pilotos. Mas, ironicamente, foi justamente uma condução delicada que lhe garantiu hoje, em Xangai, sua primeira vitória na Fórmula 1.

Apesar da pole position, foi sim uma vitória surpreendente. A Mercedes destacou-se nas duas primeiras corridas do ano por ser um carro rápido, mas indócil com os pneus. Em poucas voltas, a borracha ia para o espaço, fazendo Rosberg e Schumacher se arrastarem pela pista. Imaginava-se que o mesmo aconteceria hoje no GP da China. Ledo engano.

Partindo da pole, Nico Rosberg disparou na frente e manteve um ritmo de corrida competitivo e estável. Enquanto seus principais rivais – leia-se a McLaren – apostaram em uma estratégia de três paradas para troca de pneus, incrivelmente o W03 papa-pneus aguentou apenas dois pit stops e foi dominante do início ao fim. E a dobradinha só não aconteceu por causa de um erro do famoso “homem do pirulito”, que liberou Michael Schumacher de seu primeiro pit stop antes que o pneu dianteiro direito fosse devidamente aparafusado. O mecânico responsável surtou, gesticulou, bateu as mãos no chão e de nada adiantou. Schumacher voltou para a pista apenas para abandonar algumas curvas depois. O que a Mercedes descobriu nestas duas semanas em que a Fórmula 1 voltou para a Europa, não se sabe. Mas a solução do problema crônico de desgaste de pneus coloca a equipe alemã entre as favoritas para as próximas corridas.

A única real ameaça a Nico Rosberg na corrida partiu de Jenson Button, que fez três paradas e chegou a assumir a liderança da corrida em um intervalo de pit stops. Porém, a McLaren fez bobagem em sua segunda parada, acabando com suas chances. Ainda assim, a minha aposta é que Nico venceria da mesma forma, talvez com apenas um pouco menos de facilidade.

Outros pilotos também arriscaram uma estratégia de apenas duas paradas, mas sem o mesmo sucesso. Kimi Raikkonen, com a Lotus, foi segundo colocado o tempo todo, mas ficou completamente sem pneus nas últimas voltas e despencou para 14º. Felipe Massa foi outro, apareceu bem mas acabou apenas em 13º. Porém, um adendo: chegou apenas cinco segundos atrás de Fernando Alonso, que parou três vezes e terminou em nono. A Ferrari é uma draga, não deu para fazer milagre, e é possível classificar a corrida de Felipe hoje como aceitável. Não foi um resultado satisfatório, longe disso, mas mostrou uma certa recuperação do piloto brasileiro. Não foi um fiasco como nas últimas provas.

A Red Bull apostou em uma estratégia para cada piloto. Webber parou três vezes e chegou em quarto, ultrapassando Vettel no finalzinho numa briga emocionante. Embora tenha perdido para o companheiro, o resultado do atual bicampeão não foi de todo ruim. Partiu mal, despencou de 11º para 14º, mas na base da estratégia chegou a aparecer em segundo no final da corrida. Porém, como Kimi, ficou sem borracha no fim e foi perdendo posições.

O GP da China foi uma corrida aborrecida no começo, mas com boas brigas no final. Porém, tudo devido aos pneus Pirelli e seu rendimento instável. Daqui a algumas provas, quando as equipes entenderem melhor o comportamento dos compostos, as surpresas e diferentes estratégias acabarão. O que é uma pena. Hoje a emoção da F1 é absolutamente dependente da ignorância das equipes com relação aos pneus. Quando tudo estiver dominado, o tédio tomará conta e dificilmente teremos resultados como estes das primeiras provas, com três diferentes vencedores de três equipes diferentes.

0 comentários:

Postar um comentário